Tem Tela Brasil no Cine Stésico: agosto de comédias na Praia do Morro
Ciclo Tela Brasil — Comédias no Cine Stésico: sinopses, fichas e motivos de curadoria dos quatro curtas — 10 e 17 de agosto, 20h, Praia do Morro. Entrada gratuita.

Em agosto, o Cine Stésico abre a sala da Casa Sinestésica ao acervo da Tela Brasil — plataforma pública do Ministério da Cultura que reúne cinema brasileiro para exibição coletiva em pontos de cultura e espaços como este, na Praia do Morro. Não é só grade de filmes: é homenagem a um bem comum. Ao projetar o que o país disponibiliza de graça, a Casa reconhece a Tela Brasil como infraestrutura de memória e de encontro — catálogo vivo, não vitrine fechada.
Há um modo particular de conhecer o Brasil: rindo com ele. A comédia, quando é boa, não disfarça o país — ela o revela de lado, pelo excesso, pelo constrangimento, pelo detalhe miúdo que todo mundo reconhece e ninguém tinha nomeado. Rir junto é ler o território sem sermão: família, pedido, dívida, rua, desejo, vergonha leve. É política cultural barata no preço e cara na exigência — porque pede presença, ouvido e debate depois que a luz acende.
Por isso o ciclo se chama Tela Brasil — Comédias. Quatro curtas, duas segundas, entrada franca. O bloco é curto; a conversa pode demorar. Abaixo, sinopses, fichas técnicas e os motivos de curadoria de cada obra — para quem quer chegar à sala sabendo por que esses títulos, e não outros, abrem o acervo neste agosto.
10 de agosto, segunda, 20h — Comédias do cotidiano
Bloco de aproximadamente 31 minutos. Classificação indicativa máxima: 10 anos. Debate após a exibição. Dois filmes sobre o miúdo que atrapalha o ritual: o aniversário familiar e o pedido de namoro.
A Chuva Não Me Viu Passar

2024 · 19 min · Média-metragem · classificação Livre · TB#203
Dona Célia só quer uma oportunidade de sentir novamente o gostinho da liberdade, ainda que por poucas quadras.
Sinopse
Enquanto a casa se enche de vozes e passos apressados, Célia, 75 anos, se arruma no seu tempo. Com a visão já comprometida, ela mantém a serenidade em meio à correria da família, garantindo que logo dará um jeito de chegar ao aniversário. Quando a última porta bate e o silêncio se instala, resta apenas ela... e seu antigo carro na garagem.
Ficha técnica
Direção: Leonardo Gatti
Roteiro: Leonardo Gatti
Direção de fotografia: Eduardo Guerreiro
Montagem: Lara Koe
Elenco: Berna Sant’anna (Célia), Nanda Hermes, Denise Farber e Guilherme Augusto
Produção: Entropia Filmes
Destaques em festivais: Melhor Curta-Metragem na Mostra Descobertas — VII Festival Internacional de Cinema Curta Lages (2024); Melhor Atuação — VII Festival Internacional de Cinema Curta Lages (2024); Melhor Curta-Metragem — 1º Curta Fest - Festival de Curtas de Joinville - Mostra Catarinense (2024)
Por que neste ciclo
Escolhido para abrir o bloco do cotidiano: o riso nasce do tempo desalinhado — a pressa da família versus a liberdade miúda de uma mulher de 75 anos. É comédia de observação sobre envelhecer no Brasil sem virar cartilha.
O Fardo do Pedido
2020 · 12 min · Curta-metragem · classificação 10 anos · TB#367
Rodrigo só queria pedir Lívia em namoro, mas foi levado para um universo totalmente
inesperado.

Sinopse
Rodrigo arma o cenário ideal para pedir Lívia em namoro. Contudo, a noite toma um rumo inesperado quando a obsessão de Lívia por teorias de ficção científica transforma o pedido em uma jornada cósmica. Entre universos paralelos, Rodrigo precisa lutar para trazer a conversa de volta à Terra e fazer a pergunta que realmente importa. Será que o amor deles sobreviverá a essa viagem intergaláctica?
Ficha técnica
Direção: João Folharini
Roteiro: João Folharini
Direção de fotografia: Marcos Ferreira de Carvalho
Montagem: Marcos Ferreira de Carvalho
Elenco: João Vieira (Rodrigo), Luiza Pilipczuki (Lívia) e Nanda Canabarra (Garçonete)
Produção: Habitante Filmes
Avisos de classificação: drogas lícitas
Destaques em festivais: Melhor Roteiro — Cine Tamoio (2020)
Por que neste ciclo
Encaixa no mesmo ciclo porque transforma o pedido de namoro — ritual quase obrigatório — em farsa cósmica. Rir aqui é reconhecer a linguagem afetiva contemporânea e o constrangimento de quem tenta caber no roteiro “perfeito”.
17 de agosto, segunda, 20h — Comédias de aresta
Bloco de aproximadamente 33 minutos. Classificação indicativa máxima: 12 anos. Debate após a exibição. Aqui o riso aperta: luto, classe e o absurdo que só aparece quando a casa perde o equilíbrio.
Mortinho da Silva

2023 · 15 min · Curta-metragem · classificação 12 anos · TB#639
Nem a morte os separam.
Sinopse
Rafa nunca foi muito fã de sua família, mas sempre foi muito próximo de seu irmão Cauã. Desde pequenos, os dois eram inseparáveis. Mas isso foi por água abaixo quando a carreira musical de Cauã decolou. Cauã morreu aos 25, deixando Rafa desolado e sozinho. A única coisa que o jovem queria, era ter um último momento a sós com seu irmão. Por isso, na noite do velório, Rafa decide roubar o caixão de Cauã e fugir.
Ficha técnica
Direção: Rodrigo Buscato
Roteiro: Rodrigo Buscato
Direção de fotografia: Beatriz Tadioto e Rafael Regis
Montagem: Lucas Nakamura
Elenco: Wanderley Montanholi (Rafa), Ramoile Barreiros (Cauã), Franciele Mânica (Míriam) e Natália Lima (Tia Vanessa)
Produção: FAAP
Avisos de classificação: drogas lícitas, linguagem imprópria
Por que neste ciclo
Entra no bloco de aresta porque o humor não anula o luto: o gesto absurdo (roubar o caixão) carrega fraternidade, inveja e desamparo. É o Brasil rindo no limite, onde a piada e a ferida compartilham a mesma cena.
Dependências
2023 · 18 min · Média-metragem · classificação 12 anos · TB#206
Com a ausência da empregada domética, família enfrenta contratempos. Na sala, muito inteligentes, na cozinha, uns idiotas.

Sinopse
Para celebrar uma possível promoção no trabalho, uma mãe convida seu futuro chefe para um chá em casa. Enquanto aguardam a chegada do convidado, ela e os filhos se desesperam com o desaparecimento repentino de Dadá, a empregada que trabalha na família há mais de 20 anos. Sem saber sequer o nome verdadeiro dela, não conseguem localizá-la. Perdidos, os anfitriões não sabem como preparar a mesa, servir ou cozinhar. Entre improvisos e tentativas frustradas, a tensão cresce até o descontrole total, expondo contradições, dependência e a infantilização da classe média brasileira.
Ficha técnica
Direção: Luisa Arraes
Roteiro: —
Direção de fotografia: Daniel Venosa
Montagem: Marina Kosa
Elenco: Marina Vianna (Mãe), Cris Larin (Patrícia), Eduardo Rios (Filho) e Catharina Caiado (Filha)
Produção: Cosmo Cine do Brasil, Casa Forte Produções e Paris Entretenimento
Avisos de classificação: drogas lícitas, violência
Destaques em festivais: Melhor Atriz — V Cine Açude Grande - Festival de Cinema de Cajazeiras (2024); Melhor Roteiro — 8ª Edição do Cine Jardim (2024); Melhor Direção — 8ª Edição do Cine Jardim (2024)
Por que neste ciclo
Fecha o ciclo como sátira de classe clássica e atual: a casa “inteligente” na sala e inútil na cozinha. O riso aponta a dependência estrutural do trabalho doméstico — e o desconforto de quem só percebe a empregada quando ela falta.
Serviço
Datas: 10 e 17 de agosto de 2026 (segundas). Horário: 20h–21h30. Local: Centro Cultural Casa Sinestésica — Av. Barcelona, 192, Praia do Morro, Guarapari/ES. Entrada gratuita, sem inscrição.
Agenda canônica: quem ainda anota 3 de agosto ou 19h, risca. Plataforma e acervo: front.telabrasil.cultura.gov.br — gênero Comédia (Ministério da Cultura).
Onde isso se encaixa
O Cineclube é frente dos Clubes de Cultura e Tecnologia — ao lado do Clube de Leitura e do CTec — com piso de pelo menos uma sessão por quinzena. Programa-mãe: Cine Stésico. Edital: SECULT/ES 03/2025, programação continuada de espaços culturais. Filmes: acervo Tela Brasil (Ministério da Cultura).